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Além do vermelho: a diversidade do sangue na natureza explicada pela evolução, pela química e pela adaptação dos seres vivos

A diversidade de cores do sangue na natureza costuma despertar surpresa quando comparada ao padrão vermelho associado à espécie humana. Em diferentes ambientes, de abismos oceânicos a regiões polares, animais adotaram pi...

A diversidade de cores do sangue na natureza costuma despertar surpresa quando comparada ao padrão vermelho associado à espécie humana. Em diferentes ambientes, de abismos oceânicos a regiões polares, animais adotaram pigmentos respiratórios variados para garantir o transporte de oxigênio em condições muitas vezes extremas. A escolha entre ferro, cobre ou outros elementos metálicos não ocorreu ao acaso: trata-se de um processo moldado por pressões evolutivas ligadas à temperatura, à pressão e à disponibilidade de oxigênio na água ou no ar.

Entre essas variações cromáticas, destacam-se o sangue azul de polvos e caranguejos-ferradura, o tom esverdeado de alguns anelídeos marinhos e até pigmentos violáceos em invertebrados menos conhecidos. Cada cor reflete uma solução bioquímica específica para captar, transportar e liberar oxigênio com eficiência. Em vez de representar simples curiosidade visual, essas tonalidades funcionam como um retrato da adaptação de cada espécie ao seu nicho ecológico.

O chamado "sangue azul" encontrado em polvos, lulas, alguns crustáceos e nos caranguejos-ferradura está ligado à presença de hemocianina, um pigmento respiratório baseado em cobre. Diferentemente da hemoglobina humana, que fica contida dentro das hemácias, a hemocianina circula livremente no plasma desses animais. Quando oxigenada, assume um tom azul-escuro característico, que se torna transparente ou quase incolor na forma desoxigenada.

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A preferência evolutiva pelo cobre nesses grupos está relacionada, em grande parte, ao ambiente em que vivem. Moluscos cefalópodes e artrópodes marinhos costumam ocupar águas frias ou com baixa concentração de oxigênio dissolvido. Nesses cenários, a hemocianina mostra boa performance, mantendo capacidade de transporte de oxigênio adequada mesmo quando a temperatura cai ou quando o gás vital fica escasso. Assim, a tonalidade azul não é um detalhe estético, mas um indicador de uma bioquímica adaptada à sobrevivência em mares desafiadores.

A hemoglobina humana utiliza o ferro no centro de um grupo heme para se ligar ao oxigênio, formando um complexo que confere a cor vermelha ao sangue. Nos invertebrados, outros pigmentos respiratórios desempenham função análoga com estruturas químicas distintas. A já citada hemocianina possui átomos de cobre em seu sítio ativo; na forma oxigenada, o cobre se encontra no estado de oxidação +2 e forma um complexo azul com o oxigênio.

Entre certos anelídeos marinhos, surge outro pigmento: a clorocruorina. Quimicamente, ela é aparentada à hemoglobina, por também se basear em ferro, mas apresenta modificações na estrutura do anel porfirínico que alteram a forma como absorve e reflete a luz. Em solução diluída, tende a exibir um verde translúcido, que pode parecer mais escuro em maiores concentrações. A clorocruorina é encontrada em poliquetas que habitam zonas costeiras e ambientes com variação acentuada de salinidade e oxigênio, sugerindo um ajuste fino às flutuações desses parâmetros.

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