O conselho que eu não queria ouvir
O meu pai tinha um dom peculiar para decepcionar. Não por maldade, mas por método. Toda vez que eu chegava com uma dúvida, ele ouvia com atenção genuína, respirava fundo e respondia com outra pergunta: "Você sabe quanto...
O meu pai tinha um dom peculiar para decepcionar. Não por maldade, mas por método.
Toda vez que eu chegava com uma dúvida, ele ouvia com atenção genuína, respirava fundo e respondia com outra pergunta: "Você sabe quanto isso vai te custar?"
No começo, eu interpretava como esquiva. Uma forma elegante de não ajudar. Com o tempo, percebi exatamente o oposto. Era, sim, a ajuda mais completa que alguém poderia oferecer a um jovem inexperiente.
Tudo tem custo. Absolutamente tudo. A decisão que você toma. A decisão que você adia e até aquela que você finge que não precisa tomar. Cada uma apresenta sua conta, cedo ou tarde, com ou sem aviso prévio.
E eis o ponto que meu pai dominava com uma clareza que eu levei anos para alcançar: nem todo custo é ruim. Há custos que valem cada parcela, que edificam, que abrem portas, que solidificam caráter. Investimento em boa educação, por exemplo, dói no bolso, mas alimenta a vida inteira. A conversa difícil que você tem com alguém que ama custa desconforto, porém, dá acesso a anos de relação verdadeira.
Há também o custo que é só perda. Aquele que você paga sem receber nada em troca, exceto o arrependimento de que devia ter feito cálculos antes de "entrar de cabeça". Prejuízo moral, emocional, espiritual, familiar etc. A vida cobra em moedas variadas e raramente avisa qual será. Esse custo, aliás, foi o que mais demorei a compreender e que, por muito pouco, não me levou à falência.
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