Terapia inédita alivia dor crônica sem opioides nem risco de dependência
Segundo a OMS, 30% da população sofre de dor crônica. Se a dor aguda pode ser considerada um alarme vital de proteção, a crônica se torna um problema clínico gravíssimo, pois o sistema entra em curto-circuito e continua...
Segundo a OMS, 30% da população sofre de dor crônica. Se a dor aguda pode ser considerada um alarme vital de proteção, a crônica se torna um problema clínico gravíssimo, pois o sistema entra em curto-circuito e continua “disparando” o alerta no cérebro mesmo após o corpo ter cicatrizado.
Como o sistema nervoso continua enviando sinais de perigo mesmo sem uma ameaça ativa, a sensação de dor deixa de ser um sintoma para se tornar uma doença neurológica debilitante, capaz de incapacitar o paciente, desencadear depressão profunda e, ainda hoje, empurrar milhares de pessoas para a dependência de opioides.
Embora aliviem a dor, esses potentes analgésicos encaixam suas moléculas em receptores espalhados por todo o cérebro. O problema é que essas “fechaduras” biológicas podem abrir muitas portas indesejadas, capazes de provocar dependência química, depressão respiratória, rigidez torácica, entre outros efeitos colaterais.
Agora, um grupo de pesquisadores da University of Pennsylvania, nos EUA, conseguiu mapear o circuito cortical exato pelo qual a morfina produz alívio da dor. Identificado na região chamada córtex cingulado anterior (CCA), esse conjunto específico de neurônios medeia não apenas a sensação física da dor, mas também o sofrimento que ela causa.
A grande inovação do estudo, publicado recentemente na revista Nature, é a precisão do alvo. A terapia gênica desenvolvida pelos autores age exclusivamente nos neurônios do CCA que expressam receptores opioides. Em outras palavras, os pacientes continuam sentindo a dor, mas o cérebro para de interpretá-la como perigo.
Para mapear o circuito da dor, os pesquisadores desenvolveram o LUPE — sigla em inglês para “avaliador automatizado da dor” —, uma plataforma de análise comportamental baseada em aprendizado profundo que rastreia automaticamente estados que refletem o sofrimento causado pela dor crônica em camundongos.
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