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Envelhecer sem perder a memória? O fenômeno dos SuperAgers desafia o que sabemos sobre o cérebro humano

O interesse pelos chamados SuperAgers cresce em laboratórios e redações. O termo descreve pessoas com mais de 80 anos e memória similar à de adultos bem mais jovens. Pesquisadores acompanham esse grupo para entender por...

O interesse pelos chamados SuperAgers cresce em laboratórios e redações. O termo descreve pessoas com mais de 80 anos e memória similar à de adultos bem mais jovens. Pesquisadores acompanham esse grupo para entender por que o cérebro de alguns idosos resiste melhor ao tempo. Assim, o fenômeno levanta questões sobre envelhecimento saudável e sobre o limite real da capacidade cognitiva humana.

Estudos de neurociência do envelhecimento apontam padrões comuns entre esses idosos. Muitos mantêm atenção, linguagem e memória episódica em níveis altos. Em testes padronizados, eles recordam listas de palavras com desempenho acima da média de pessoas de 50 ou 60 anos. Ao mesmo tempo, relatam rotina ativa, vida social intensa e curiosidade intelectual constante.

A palavra-chave central, SuperAgers, surgiu em centros de pesquisa em neuroimagem. Equipes nos Estados Unidos, no Brasil e em outros países criaram bancos de dados com idosos de alto desempenho cognitivo. Para entrar nesses grupos, o participante precisa ter mais de 80 anos e memória muito superior à esperada para a idade. Além disso, precisa manter autonomia no dia a dia e ausência de demência diagnosticada.

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Da perspectiva clínica, esse padrão desafia o modelo tradicional de declínio uniforme. A ideia de que toda pessoa idosa perde memória de forma inevitável não se sustenta. Alguns cérebros envelhecem em ritmo mais lento. Outros, inclusive, mostram resistência notável à perda de neurônios em áreas-chave. Esse contraste ajuda cientistas a traçar fronteiras entre envelhecimento normal e doença.

Pesquisas com ressonância magnética e tomografia funcional descrevem características estruturais específicas. A espessura do córtex em SuperAgers, por exemplo, costuma se aproximar da de adultos mais jovens. Principalmente em regiões ligadas à memória e à atenção sustentada. O córtex cingulado anterior aparece com destaque nesses trabalhos.

Além disso, exames apontam menor atrofia no hipocampo, região essencial para formar novas lembranças. Algumas imagens revelam também menor carga de placas amiloides e emaranhados de tau. Esses marcadores costumam se acumular em cérebros com doença de Alzheimer. Contudo, a redução não elimina completamente essas proteínas. Ela apenas indica um padrão mais favorável.

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