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O "vilão" que protege você: entenda a função da cera de ouvido e por que ela não deve ser removida com cotonete

A rotina de higiene pessoal costuma incluir o cuidado com os ouvidos, mas muitos hábitos populares não acompanham o que a ciência sabe hoje sobre a cera de ouvido. O cerume, muitas vezes visto como sinal de falta de limp...

A rotina de higiene pessoal costuma incluir o cuidado com os ouvidos, mas muitos hábitos populares não acompanham o que a ciência sabe hoje sobre a cera de ouvido. O cerume, muitas vezes visto como sinal de falta de limpeza, na verdade é um dos sistemas de defesa mais eficientes e discretos do corpo humano. Ele protege, impermeabiliza e ajuda a manter o canal auditivo em equilíbrio, atuando como um verdadeiro "filtro" biológico.

Ao olhar de fora, pode parecer apenas um resíduo amarelado ou escuro. No entanto, essa substância é resultado de uma combinação precisa de secreções produzidas por glândulas específicas da pele do conduto auditivo, misturadas com células mortas e pequenos fragmentos de sujeira que entram no ouvido. O objetivo principal não é acumular, mas funcionar como barreira protetora temporária, sendo continuamente renovada e transportada para fora pelo próprio organismo.

Ela é produzida por glândulas ceruminosas e sebáceas localizadas no terço externo do canal auditivo. Essas glândulas liberam uma mistura de lipídios, proteínas e substâncias com ação bactericida e fungicida, capazes de inibir a proliferação de micro-organismos que entram em contato com o ouvido.

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Além da função antimicrobiana, o cerume age como um impermeabilizante natural. Sua composição oleosa cria uma película que impede a penetração excessiva de água no canal auditivo, reduzindo o risco de infecções como a otite externa. Outro aspecto importante é o papel de "cola seletiva": poeira, partículas do ar e pequenos insetos tendem a ficar presos na cera, evitando que atinjam diretamente o tímpano e estruturas mais internas.

Do ponto de vista anatômico, o ouvido apresenta um mecanismo chamado migração epitelial, muitas vezes descrito como um processo de "autolimpeza". As células da pele que revestem o conduto auditivo se renovam continuamente, deslocando-se, ao longo de semanas, da região próxima ao tímpano em direção à saída do canal. Ao se moverem, carregam consigo o cerume e os resíduos presos nele.

Esse deslocamento é tão organizado que já foi comparado a uma esteira rolante microscópica. Pequenos movimentos da mandíbula, como falar e mastigar, contribuem para esse transporte, ajudando a empurrar a cera em direção à parte externa. Por isso, em pessoas com anatomia do canal auditivo preservada, a cera de ouvido tende a sair sozinha, sem necessidade de intervenções com objetos.

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