Zumbido no ouvido: como o cérebro cria um som fantasma após danos na cóclea e quando o sintoma exige atenção
O zumbido no ouvido, também chamado de tinnitus, descreve um apito, chiado, cigarra ou pressão sonora constante. Esse som não vem do ambiente. No entanto, a pessoa o percebe como se estivesse dentro da cabeça ou no fundo...
O zumbido no ouvido, também chamado de tinnitus, descreve um apito, chiado, cigarra ou pressão sonora constante. Esse som não vem do ambiente. No entanto, a pessoa o percebe como se estivesse dentro da cabeça ou no fundo do ouvido. A experiência costuma causar estranhamento, sobretudo quando surge depois de um show, de um fone de ouvido muito alto ou em momentos de silêncio total.
Em termos médicos, o zumbido não representa uma doença isolada. Em vez disso, ele funciona como um sintoma ligado a alterações no sistema auditivo e no cérebro. Ele pode permanecer de forma passageira, durando minutos ou horas, ou se tornar persistente, acompanhando o indivíduo por meses ou anos. Fonoaudiologia e neurologia descrevem esse fenômeno como uma combinação de dano periférico na cóclea e uma reação central no córtex auditivo, que tenta se adaptar à perda de som.
A palavra-chave para entender o zumbido no ouvido é cóclea, a estrutura em forma de caracol localizada no ouvido interno. Dentro dela existem as células ciliadas, que transformam vibrações sonoras em impulsos elétricos enviados ao cérebro. Quando ocorre exposição a sons intensos - como caixas de som potentes, maquinário industrial, fogos de artifício ou uso prolongado de fones altos -, essas células sofrem lesões.
Uma analogia comum compara as células ciliadas a uma "grama" delicada. Um som muito forte funciona como um peso que passa sobre essa grama. Em algumas situações, ela se "levanta" de novo após um tempo de descanso. Em outras, porém, permanece amassada de forma permanente. Quando o dano permanece temporário, o zumbido costuma desaparecer em horas ou dias. No entanto, quando o trauma se repete ao longo dos anos, parte dessas células se perde. Assim, a audição pode ficar comprometida de forma duradoura.
Com menos células ciliadas funcionais, o cérebro recebe menos estímulos de certas frequências sonoras. Essa perda de informação desencadeia o fenômeno do som fantasma. O sistema nervoso central tenta compensar a falta de sinal e aumenta o "ganho" interno, como um rádio ajustado para um volume maior na tentativa de captar uma estação fraca. Nesse processo de amplificação, circuitos do córtex auditivo e de outras áreas geram atividade espontânea. A pessoa então percebe essa atividade como zumbido no ouvido.
Do ponto de vista neurológico, o córtex auditivo funciona como um mapa das frequências que chegam da cóclea. Quando um grupo de células ciliadas sofre dano, esse mapa ganha "lacunas". Para não deixar áreas ociosas, o cérebro reorganiza as conexões e aumenta a sensibilidade dos neurônios vizinhos. Essa reorganização produz disparos elétricos descoordenados. Em seguida, o sistema interpreta esses disparos como som, mesmo na ausência de estímulos externos.
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